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Fundacao Oscar Araripe inaugura exposicao de Karin Bartlewski

November 25, 2014




KARIN BARTLEWSKI,  Paisagens em tecido – Trajetória de Vida e Arte

Esta exposição de arte em tecido, com abertura no dia 6 de dezembro de 2014, sábado, às 19 horas,  na galeria da Fundação Oscar Araripe, em Tiradentes, MG, surge em reconhecimento ao trabalho singular de uma artista que viveu, até o dia exato em que completou 80 anos, em constante superação das adversidades da vida, sem nunca perder-se da busca pelo belo e pela harmonia. É a homenagem merecida após um ano do seu falecimento.  Karin Bartlewski nasceu na Alemanha, viveu o retalhamento de destinos da II Guerra, emigrou com a família para o Brasil, onde viveu em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo e no Rio de Janeiro. Esta trajetória a fez encontrar sua expressão plena na arte. 

No início a necessidade e o gosto pela costura de roupas, depois,  fazendo apliques com retalhos,  veio a descoberta do patchwork.  Nesta técnica fez poucos objetos utilitários, que  logo deixou de lado, porque não satisfaziam a sede de criação. Daí suas mãos habilidosas começaram a transformar retalhos, cores e texturas em obras de arte, desde paisagens de tecidos à trabalhos mais abstratos e interpretação de elementos,  cheias de detalhes e de beleza, reinventando a técnica do quilt à sua moda, com resultados inéditos e surpreendentes.

O que Karin fez foi transformar o patchwork, de mero enfeite, em obra de arte, além do principio da utilidade.  Para Kant, a arte provoca um “uninteressiertes  Wohlgefallen,”  “um prazer desinteressado”, ou seja, a arte não serve para nada, senão para produzir este prazer. (...) Ela se insere numa longa tradição pré-capitalista, anterior à transformação da arte em mercadoria, anterior à hegemonia do mercado. É nesse sentido que essa alma doce e delicada se mostra inesperadamente subversiva: é a subversão pela tradição. (Sergio Paulo Rouanet)

Começando por sua letra caligráfica mas determinada, regular mas expressiva, clara,  sem erros ou rabiscos, já no endereço do envelope ficava evidente que era uma carta da Karin. Para mim, essas cartas constituem o prenúncio do que depois se revelou: a alma artística de minha irmã. (Barbara Freitag)

Sua obra nunca foi exposta como aqui, completa e incluindo todo o processo de criação, ferramentário e materiais. Nenhuma de suas criações está a venda, por isto, é uma oportunidade única de vê-las. Karin nunca quis vender uma obra sequer, para não desfalcar o mundo harmonioso que com eles construía. Além disso,  pelo trabalho que dava, seria impagável, dizia ela. Mas presentear pessoas muito especiais, sim, era como convidá-los a fazer parte de sua paisagem.

Nos últimos anos, Karin apaixonou-se pelo Cosmos. Visitava o Planetário do Rio, comprava álbuns e livros de fotos sobre a formação do universo. Encantou-se com a “Curva de Moebius”. E é nesses temas  que ela estava trabalhando  quando  aquele universo que ela amava e reverenciava com um assombro  “pascaliano “  a chamou para ser ela própria uma estrela.  (Barbara Freitag)
Sobre Karin Bartlewski disse Oscar Araripe:
"Por fim, no Universo, o silêncio resulta. Feliz a pessoa da artista Karin Bartlevski que soube mostrar tão silenciosamente o silêncio da imagem, este grito do Universo."