Rio recebe noite de autógrafos de Artbook do pintor Oscar Araripe

Posted on 28/11/2011

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Livro é ilustrado com fotos, telas de duas importantes fases do pintor, textos pessoais e depoimentos críticos.

Ao completar 70 anos, Oscar Araripe acaba de publicar importante livro sobre sua fulgurante vida e carreira artística, com lançamentos já agendados nas principais capitais e cidades brasileiras, como Ouro Preto, Tiradentes, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, com as quais sua obra mantém forte vinculação inspiradora e onde residem milhares de seus colecionadores e admiradores. No Rio, a noite de autógrafos será na próxima quarta-feira (30), às 19h30, na Livraria da Travessa, Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade.

O slogan estampado na contracapa do livro – “uma valiosa seleção de imagens e textos de um renomado e excêntrico artista atemporal” – antecipa a essência do luxuoso projeto editorial, concebido pelo próprio artista com a ajuda de sua esposa, Cidinha Araripe, amigos e colegas, composto por três grandes partes que somam 348 páginas, ilustradas com fotos, telas de duas importantes fases de sua pintura (todas pertencentes a coleções públicas e particulares), textos pessoais e depoimentos críticos.

A primeira parte – Uma Cronologia Inacabada – conta os fatos marcantes da vida e trajetória do artista, desde seu nascimento na casa dos avós maternos na Tijuca, Rio de Janeiro, ao dias de hoje. O autor divide sua biografia em décadas. Em 1940, situa seu nascimento a partir da ascendência ilustre de seus avós maternos, relembrando as brincadeiras de garoto do subúrbio carioca de Encantado, que inconscientemente acabaram por motivá-lo a se tornar artista, ou melhor, pintor. Entre 1950 e 60, narra episódios conturbados de sua juventude como aluno da Faculdade Nacional de Direito (iniciada em 1964, ano em que ocorre o golpe militar no país) e militante político (da AP, a Ação Popular) envolvido com a resistência democrática, cujas perseguições políticas resultaram em duas punições públicas e notórias, e o levaram a viajar aos Estados Unidos e também à Europa, época em que se inicia profissionalmente no teatro lá e aqui, no Brasil.

Nos anos 1970, atua como jornalista cultural e escritor ao publicar o ensaio “China Hoje – O Pragmatismo Possível” e seu primeiro romance, “Maria na Terra de Meus Olhos”, até se isolar artisticamente, existencialmente e politicamente no remoto vilarejo mineiro de Mirantão, e começar a pintar. Então, dedica a década de 1980 à pintura e a inúmeras exposições, que se estendem dentro e fora do país à década seguinte, tamanho sucesso alcançado – tanto de público, quanto de crítica. Nos anos 1990, Araripe muda-se, então, para Ouro Preto e, três anos depois, para Tiradentes, onde vive até hoje.

A partir de 2000, expõe na Europa, Estados Unidos, Cuba e México e empreende viagens artísticas à Bahia e depois ao Ceará, onde pinta marinhas e se encanta com a origem histórica de seus antepassados, notadamente, Tristão de Alencar Araripe, herói da Confederação do Equador, e Bárbara de Alencar, heroína cearense, que retrata em telas diversas. Ao voltar a Tiradentes, retoma a pintura da paisagem colonial mineira, sempre de maneira alegre e inovadora – e, junto com sua esposa e amigos, institui a Fundação Oscar Araripe, sediada em um dos mais belos casarões da cidade, e que tem por objetivo cuidar da obra do artista e do desenvolvimento da arte e da cultura brasileira.

As segunda e terceira partes do livro trazem cerca de 330 telas de duas fases importantes da pintura do artista – “As Flores”, iniciada em 2004, e “Os Pilares”, realizados entre 1986 e 1987. Em ambas, as imagens são apresentadas, na maioria das vezes, junto a fragmentos de textos autorais sobre a arte e a vida e sobre as duas coisas, ora juntas, ora separadas. Ele mesmo explica: “Escritura e pintura sempre existiram no meu cotidiano. Às vezes separadas. Às vezes, juntas. Nesta seleção de imagens florais e subjetivas, que compõe este livro, gostaria que elas continuassem juntas e, também separadas”. Assim, informa sobre a ligação entre as imagens e os textos, mas também sugere a possibilidade de leitura e ou apreciação juntas ou separadas. Em “Os Pilares”, o artista argumenta no texto de abertura – Uma Arqueotipia Pessoal -, que tais pinturas “resultam de um método ou prática artística que cria uma ponte memorialista entre um passado poético remoto e um presente proto-histórico imaginado”. E, ainda: “… creio poder com a obra (que chega a 1200 imagens) prestar um serviço à preservação da memória pessoal e da criação artística, já que a preservação do passado, ainda que tão-só imaginado, é a maior garantia de permanência da arte atual e futura”.

Mais que mera seleção de obras artísticas e textos biográficos, a publicação é um “apanhado” da arte e do pensamento do artista sobre arte, sobre vida e sobre as duas coisas, que pode ser apreciado somente pelas telas, somente pelos textos, ou ainda pela associação dos dois, reunidos com habilidade de um editor de arte pelo próprio Araripe.

Fonte: Agência Rio de Notícias/ARN – Caderno A
Foto: ARN

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